a dançarina iluminada
pra Elaine
“A gente guarda os mortos em saquinhos de flor...”
me disse a menina ruiva incorporada
enquanto se arrumava pra sair dançando
sozinha e flutuante
voltando a iluminar as várias dimensões da vida,
agora por querer
Poesia caipira
minha amada
retilínea
nada de viés
vens vindo
vivendo eu
ou vendo eu
em mim
filha do sol
em mim,
filho da lua
atua
tua pilha solar
pra Valéria
a noite, escandida no ar
sussurrante sinal
dos perigos de ser
silencioso animal
mas, fugida do mar
me aparece você
escondido no olhar
tanto amanhecer
à noite, escondida do mar
sensação terminal
me aparece você
escandindo no olhar
tentação de coral
todo o amanhecer
Recitar mastigando as palavras, em 2/3.
a gente...
quase toda aspiração é piração
e assim
desisto e me despeço
e dispo essa veste
deste estranho ser
que me tornei
sério e engravatado
engavetado
entre o ter e o poder
e visto-me de mim,
visto que de mim
posso esperar
ter o poder
de ser algum
eu mesmo